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Experiência

Bruges, Moinhos, património e vistas sobre Bruges

Bélgica Bruges

Depois de um primeiro dia dedicado ao coração histórico de Bruges e aos seus canais, começámos o segundo dia por uma zona bastante diferente da cidade. Afastámo-nos das praças mais movimentadas do centro para percorrer a área das antigas muralhas, onde ainda hoje se encontram alguns dos tradicionais moinhos de vento de Bruges.

Esta parte da cidade apresenta um ambiente muito mais tranquilo, com extensas zonas verdes e percursos junto ao antigo limite urbano. Os moinhos que aqui encontramos recordam uma paisagem que, durante séculos, foi comum nos arredores de Bruges.

Entre estes moinhos encontra-se o Sint-Janshuismolen, construído em 1770 e ainda conservado no seu local original. É um dos quatro moinhos existentes nesta zona das antigas muralhas e o único onde ainda se continua a moer cereal.

Não nos limitámos a observar o moinho pelo exterior. Tivemos oportunidade de entrar e conhecer o seu interior, subindo pela estrutura de madeira e vendo de perto o mecanismo utilizado para transmitir o movimento das enormes pás até às mós.

O interior permitiu-nos perceber melhor como funcionavam estas construções. Entre grandes vigas de madeira, rodas dentadas, eixos e outras peças do mecanismo, encontramos uma estrutura essencialmente funcional, concebida para aproveitar a força do vento e transformá-la no movimento necessário para a moagem do cereal.

De regresso ao exterior, continuámos o nosso percurso pela zona das antigas muralhas. Bruges conserva aqui não apenas os seus moinhos, mas também alguns vestígios das antigas estruturas defensivas que durante séculos protegiam os acessos à cidade.

Ao longo da manhã fomos regressando gradualmente ao centro histórico. Depois da tranquilidade da zona dos moinhos, voltámos a encontrar as ruas estreitas, os canais e os edifícios monumentais que tinham marcado o nosso primeiro dia em Bruges.

Uma das visitas seguintes levou-nos novamente ao património religioso da cidade. Bruges possui várias igrejas históricas e os seus interiores revelam uma riqueza artística que nem sempre é evidente quando observamos apenas as fachadas.

Mais tarde chegámos a uma das construções que mais se destaca no perfil da cidade: a Igreja de Nossa Senhora, Onze-Lieve-Vrouwekerk. A sua enorme torre em tijolo, com cerca de 115 metros de altura, é visível de vários pontos de Bruges e constitui uma das grandes referências da paisagem urbana.

O interior da igreja guarda um importante conjunto de obras de arte e monumentos funerários. Entre os seus maiores tesouros encontra-se a escultura Madonna e o Menino, de Michelangelo, uma obra particularmente importante por ser uma das poucas esculturas do artista que saíram de Itália ainda durante a sua vida.

Encontram-se também aqui os túmulos de Maria da Borgonha e do seu pai, Carlos, o Temerário, duas figuras profundamente ligadas à história dos antigos Países Baixos Borgonheses.

Ao sairmos, continuámos a explorar esta zona do centro de Bruges. É aqui que encontramos alguns dos recantos mais fotogénicos da cidade, onde edifícios históricos, pequenas pontes, jardins e canais surgem concentrados numa área relativamente pequena.

Ao longo da tarde voltámos a atravessar várias vezes o centro histórico. Depois de dois dias na cidade, alguns locais começavam já a tornar-se familiares e o Belfort surgia frequentemente entre os edifícios, funcionando quase como um ponto de referência durante os nossos percursos.

A visita a Bruges ainda não tinha, contudo, terminado. Na manhã seguinte regressámos à Markt com um objetivo muito concreto: desta vez iríamos finalmente subir ao Belfort.

Depois de o termos observado inúmeras vezes a partir das ruas e praças da cidade, chegou o momento de conhecer o campanário por dentro e subir até ao topo.

A subida é feita através de uma longa sequência de escadas que atravessa os diferentes níveis da torre. À medida que ganhámos altura, fomos conhecendo também alguns dos elementos associados ao funcionamento do campanário e do seu carrilhão.

O esforço da subida acabou por ser recompensado quando chegámos à parte superior. A mais de 80 metros de altura, o Belfort proporciona uma perspetiva completamente diferente daquela que tínhamos tido de Bruges durante os dois dias anteriores.

À nossa frente estendiam-se os telhados do centro histórico, as torres das igrejas e uma sucessão de ruas que desapareciam no horizonte. Depois de termos percorrido a cidade ao nível das ruas e dos canais, podíamos agora observá-la praticamente por inteiro.

Do alto era também possível perceber melhor a dimensão e a extraordinária concentração do centro histórico. A Markt encontrava-se diretamente aos nossos pés, rodeada pelas fachadas que tínhamos observado tantas vezes durante a nossa estadia.

Terminada a visita, descemos novamente até à praça para uma última passagem pela Markt.

Antes de deixarmos Bruges, ainda houve tempo para voltar aos canais. Depois de terem sido uma das primeiras imagens que encontrámos quando chegámos à cidade, acabaram também por acompanhar os nossos últimos momentos por aqui.

Terminávamos assim a nossa passagem por Bruges. Durante estes dias percorremos as suas principais praças, navegámos pelos canais, entrámos em alguns dos seus edifícios históricos, conhecemos os antigos moinhos e, finalmente, observámos a cidade do alto do Belfort.

Bruges acabou por revelar várias faces diferentes: a monumentalidade da Markt e da Burg, a tranquilidade dos canais e das antigas muralhas, o património religioso e a paisagem de telhados e torres vista do alto do campanário. Uma cidade que se percorre facilmente a pé, mas onde quase cada rua ou ponte parece revelar um novo enquadramento.

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