Depois do dia entre Pest e Buda, ficámos por Pest. A visita ao bairro judeu levou-nos por sinagogas, pátios e lugares de memória, antes de seguirmos pela avenida Andrássy e entrarmos na Ópera. Foi um dia em que a história da cidade apareceu tanto nas grandes fachadas como em placas discretas numa rua.

Entre sinagogas, murais e pátios
A Grande Sinagoga marcava uma das referências do percurso. Nesse dia começámos por olhar o exterior; a visita ao seu interior ficaria para mais tarde na viagem. As torres e os padrões da fachada distinguiam-na imediatamente dos edifícios em redor.
Pelas ruas do bairro, os murais acrescentavam outras histórias às paredes. Um cubo de Rubik ocupava uma fachada; noutra, o futebol e o resultado de 6–3 surgiam em grande escala. Entre essas imagens passámos pelo exterior da sinagoga de Rumbach e pelas passagens de Gozsdu, onde a rua se prolongava por uma sucessão de pátios.





A visita ao bairro também nos fez parar diante da memória do gueto. Ali, as placas e os sinais de homenagem remetiam para a perseguição à comunidade judaica durante a Segunda Guerra Mundial. A proximidade entre esses lugares e as ruas de circulação quotidiana tornava essa história parte do próprio percurso.
Continuámos até Kazinczy, onde observámos a fachada da sinagoga. O bairro não se resumia a um único monumento: eram as ligações entre edifícios religiosos, passagens e lugares de memória que davam sentido à caminhada.



Pela avenida Andrássy
Seguimos depois pela avenida Andrássy. O espaço mais largo e a sucessão de fachadas mudaram a escala do passeio. Na Casa do Terror encontrámos outra referência à história do século XX, agora centrada nas vítimas dos regimes nazi e comunista.
Observámos a fachada e, na zona do tanque, a parede de retratos das vítimas. O veículo ocupava o centro do espaço, rodeado por rostos. Depois das homenagens que tínhamos encontrado no bairro judeu, voltávamos a estar diante da memória de pessoas perseguidas.




A visita à Ópera
Na Ópera fizemos a visita completa. Antes de entrar, ainda houve tempo para observar o edifício e para uma fotografia junto à esfinge. O palácio neorrenascentista foi desenhado por Miklós Ybl e inaugurado em 1884, quando Budapeste estava a construir alguns dos seus espaços mais representativos.
Lá dentro, a escadaria, os tetos pintados e os dourados prolongavam a imponência da fachada. O olhar ia subindo com a arquitetura: das colunas aos arcos, dos patamares à decoração dos tetos. A visita permitiu-nos conhecer o edifício para lá da imagem que se tem ao passar na avenida.





Mais um passeio pelo centro
De volta às ruas, continuámos pelo centro, passando pela Váci utca. Entre lojas e pessoas a atravessar a cidade, fomos olhando as fachadas e os pormenores dos edifícios. Era o último passeio de um dia que nos tinha levado dos pátios do bairro judeu aos interiores da Ópera.


O dia juntara realidades muito diferentes de Pest: a memória do bairro judeu, o peso da história recente e a arquitetura da Ópera. No dia seguinte trocaríamos as ruas de Budapeste por uma deslocação até ao lago Balaton.