De regresso a Budapeste, começámos o dia na Praça da Liberdade. O percurso iria juntar memoriais, a visita à Grande Sinagoga e uma passagem pelo Mercado Central. Entre esses lugares, voltámos a encontrar uma cidade onde a história recente ocupa um espaço muito visível.

As memórias da Praça da Liberdade
A fonte introduzia um lado mais leve na praça, mas poucos passos bastavam para encontrar outros registos. Diante do monumento com a águia e o anjo, os objetos, fotografias e mensagens de um contramemorial acrescentavam outra voz ao espaço. A memória pública aparecia ali como uma discussão ainda presente.
Continuámos pelo monumento soviético e pela estátua de Ronald Reagan. Reunidos na mesma praça, estes elementos remetiam para momentos e leituras muito diferentes do século XX. O passeio fazia-se entre árvores e fachadas, mas também entre essas referências políticas.




Na zona do Parlamento encontrámos a estátua de Imre Nagy sobre a pequena ponte. Mais adiante, o edifício do Parlamento dominava a vista. Numa fachada, a inscrição com a data de 25 de outubro de 1956 assinalava outro lugar de memória.



Dentro da Grande Sinagoga
Voltámos à rua Dohány para visitar a Grande Sinagoga. Desta vez entrámos. À escala da fachada juntou-se a profundidade da nave, com as galerias laterais, a decoração e a área da arca da Torá a organizarem o interior.
Os motivos geométricos e as cores repetiam-se em diferentes superfícies. Fomos alternando a vista geral com os pormenores dos vitrais e da ornamentação. A arquitetura de inspiração oriental distingue este edifício, enquanto a disposição do espaço lhe dá uma monumentalidade que se percebe melhor lá dentro.





A visita continuou no exterior, pelo cemitério e pelos memoriais. As sepulturas, tão próximas da sinagoga, ligavam o lugar à tragédia da comunidade judaica durante o Holocausto.
No memorial em forma de salgueiro, os nomes inscritos nas folhas davam uma dimensão individual à homenagem. Aproximámo-nos para observar esse detalhe e depois voltámos a olhar a árvore inteira. Outros elementos memoriais completavam o percurso, entre pedra, metal e vidro colorido.




O Mercado Central
No Mercado Central mudámos de ambiente. O edifício, inaugurado em 1897, pertence à época em que Budapeste organizou o abastecimento da cidade em grandes mercados cobertos. A fachada já anunciava um espaço amplo; por dentro, a estrutura metálica prolongava-se sobre os corredores de bancas.
Percorremos os produtos expostos e a zona da comida. Entre as bancas e as tabuletas, houve também uma pausa para comer. A vista de cima ajudava a perceber o conjunto: os corredores, as pessoas e o desenho da cobertura faziam parte da mesma visita.





Um pátio para terminar o passeio
Mais tarde, passámos por um estabelecimento com um pátio cheio de cor. As mesas e as paredes compunham um espaço informal, muito diferente da solenidade de alguns dos lugares onde tínhamos estado. Ficou como a última mudança de cenário de um dia bastante variado.

Da Praça da Liberdade à sinagoga, tínhamos passado por vários lugares de homenagem às vítimas da história recente. O movimento das bancas do mercado e as mesas coloridas deste pátio acompanharam o regresso ao quotidiano de Pest.