Começámos o dia entre as esculturas do Memento Park e continuámos pelos jardins da ilha Margarida. Eram dois espaços abertos com ambientes muito diferentes: num, a escala da propaganda política; no outro, fontes, ruínas e caminhos entre árvores. Mais tarde, o dia terminou no pátio do Mazel Tov.

As esculturas do Memento Park
O Memento Park abriu em 1993 para reunir monumentos retirados do espaço público depois da mudança de regime. Em vez de desaparecerem, passaram a ser observados num lugar dedicado à memória daquele período. Afastados dos seus locais originais, os gestos e as proporções das figuras ganhavam outra leitura.
Percorremos o parque entre relevos, figuras políticas e representações de trabalhadores. Algumas esculturas impunham-se pelo tamanho; outras chamavam a atenção pela forma como condensavam uma mensagem num gesto. A distância entre elas permitia olhar cada conjunto antes de seguir para o seguinte.
O Trabant introduzia uma escala mais próxima da vida quotidiana. Depois das figuras monumentais, aquele pequeno automóvel lembrava outra dimensão do mesmo período histórico.






A fonte e os jardins da ilha Margarida
Seguimos para a ilha Margarida, no Danúbio. A fonte foi uma das primeiras paragens, com os jatos de água a ocupar o centro do espaço. Depois da visita ao Memento Park, o passeio passou a fazer-se entre jardins e caminhos arborizados.

Ao longo do percurso encontrámos ruínas, a torre de água e pequenos recantos junto a lagos. As esculturas apareciam agora entre a vegetação, e uma cascata acrescentava movimento a outro ponto do jardim. A ilha ia mudando de cenário sem deixarmos aquele espaço verde no meio da cidade.




Vestígios antigos entre as árvores
Continuámos até à capela, reparando também no relevo da porta. Mais adiante, as ruínas do convento recordavam a presença religiosa que a ilha teve na Idade Média. Os vestígios do convento dominicano do século XIII fazem parte dessa história, hoje integrada no passeio pelos jardins.
Entre as pedras antigas e os canteiros floridos, o percurso alternava pequenos detalhes e vistas mais abertas. Era uma forma diferente de encontrar história em Budapeste, afastada por algum tempo das grandes fachadas e dos interiores monumentais.




O pátio do Mazel Tov
Mais tarde fomos ao Mazel Tov. O pátio comprido, a vegetação e as luzes davam ao restaurante um ambiente muito próprio. Depois de um dia passado em espaços abertos, continuámos num lugar onde o interior e o pátio se ligavam visualmente.
Sentados à mesa, tínhamos o pátio a prolongar-se à nossa volta. As paredes altas e a entrada iluminada completavam o ambiente daquele fim de dia.



Entre o Memento Park e a ilha Margarida, tínhamos atravessado épocas e ambientes muito diferentes. O dia fechou neste pátio de Pest, antes de voltarmos às colinas de Buda no dia seguinte.