O nosso primeiro dia em Cracóvia começou na Praça do Mercado e acabou junto ao Vístula. Pelo meio, atravessámos pátios, igrejas e bairros com histórias muito diferentes, num percurso que nos levou da Cidade Velha a Kazimierz e, na outra margem, a Podgórze.

Entre a praça e os pátios da universidade
Começámos pelo Rynek Główny, a Praça do Mercado, com o comprido edifício das Sukiennice a dividir o espaço. Traçada em 1257, a praça conserva a função de ponto de encontro da cidade: em redor das antigas estruturas comerciais alinham-se fachadas, esplanadas e ruas que convidam a sair por um lado e a regressar por outro.
Foi o que fizemos ao seguir para o Collegium Maius, o edifício mais antigo da Universidade Jaguelónica. Entrámos no pátio, rodeado de galerias de arcos, onde o poço ocupa o centro. A escala era bem diferente da praça aberta que tínhamos acabado de deixar.


A Igreja de Santa Ana ficava ali perto. No interior, as paredes claras, as esculturas e a decoração do teto prolongavam-se acima da nave. Esta primeira entrada numa igreja de Cracóvia deu-nos também um motivo para abrandar o passeio e olhar para cima.


De volta à praça, passámos sob as arcadas das Sukiennice e contornámos a Basílica de Santa Maria. As suas duas torres de alturas diferentes tornavam-na fácil de reconhecer, mesmo quando as ruas nos devolviam à praça por outro ângulo.


Das muralhas à colina de Wawel
Continuámos pelo exterior do Teatro Juliusz Słowacki e pela zona da Porta de São Floriano. Junto às muralhas havia quadros expostos; mais adiante, o volume circular da Barbacã assinalava outra parte das antigas defesas da cidade.




O passeio prosseguiu pelos espaços verdes dos Planty e em direção à rua Kanonicza. As fachadas desta rua acompanharam-nos até Wawel, onde vimos o exterior da catedral e entrámos no pátio do castelo. As galerias renascentistas dispostas em vários pisos davam ao pátio uma regularidade muito diferente da sucessão de capelas e torres do lado de fora.



Regressámos depois à zona do Rynek. Ao lado da Basílica de Santa Maria, entrámos na Igreja de Santa Bárbara, mais discreta no exterior, mas com o altar e a decoração a ocuparem grande parte do campo de visão no interior.


Kazimierz, entre ruas e pátios
A etapa seguinte levou-nos a Kazimierz. Fundado como cidade separada no século XIV, o bairro conserva uma presença judaica muito visível na sua arquitetura e nos seus lugares de memória. Pela rua Szeroka, passámos junto da Sinagoga Remuh e vimos o cemitério através da vedação, marcada por estrelas de David.



O percurso continuou por ruas e pátios de escala mais pequena. No pátio do Stajnia, as varandas de madeira e as mesas ocupavam um espaço recolhido entre edifícios. Na Praça Wolnica voltámos a encontrar uma área aberta, com a antiga câmara municipal de Kazimierz como referência.


Dali seguimos até ao Vístula e atravessámos a ponte pedonal Bernatek. A passagem sobre o rio ligou esta parte do dia a Podgórze, na margem oposta.


Podgórze e a Fábrica de Schindler
Na Praça dos Heróis do Gueto, as cadeiras vazias do memorial ocupavam o espaço entre os edifícios e a rua. Evocam os habitantes do gueto e as deportações, introduzindo uma história que continuámos a conhecer na visita seguinte.

Visitámos o Museu da Fábrica de Oskar Schindler. Apesar do nome associado ao industrial, a exposição percorre de forma mais ampla a vida em Cracóvia durante a ocupação alemã, entre 1939 e 1945. Através de documentos, objetos e ambientes reconstituídos, o percurso passa da cidade quotidiana para as transformações impostas pela guerra.
No interior, as mudanças de cenário faziam parte da apresentação: uma sala, uma secretária, um ambiente de café. Esses espaços ajudavam a situar os acontecimentos na cidade por onde tínhamos andado ao longo do dia, sem reduzir a visita à história da fábrica.



Voltámos depois à margem do Vístula. O regresso levou-nos novamente à zona de Wawel, desta vez ao nível do rio, junto à escultura do dragão. Fechávamos assim um dia que começara na praça central e se tinha alargado aos bairros e às memórias de ambas as margens.

