No segundo dia saímos de Cracóvia de autocarro para visitar Auschwitz-Birkenau. O percurso passou primeiro por Auschwitz I e depois por Birkenau, dois espaços do complexo de campos criado pela Alemanha nazi na Polónia ocupada.

Auschwitz I
A visita começou junto ao portão com a inscrição Arbeit macht frei (O Trabalho Liberta), esta expressão foi usada pelos nazis como um slogan cínico e enganoso na entrada de vários campos de concentração para dar uma falsa sensação de esperança de que o trabalho árduo traria a liberdade aos prisioneiros.
Para lá dele, as ruas alinhavam-se entre blocos de tijolo. Auschwitz I foi estabelecido em 1940, utilizando edifícios de antigos quartéis polacos; vários desses blocos acolhem hoje a exposição do memorial.
Entrámos nas salas dedicadas à história do campo e ao extermínio. Entre os materiais expostos estavam recipientes de Zyklon B. As explicações e os objetos davam conteúdo concreto ao que, no exterior, se apresentava como uma sequência de edifícios semelhantes.



Noutras salas vimos malas e sapatos retirados às vítimas. As inscrições ainda visíveis em algumas bagagens conservavam nomes e outros dados pessoais. O percurso incluía também espaços dedicados às condições de alojamento e de higiene dos prisioneiros, com os lugares para dormir e as instalações coletivas.


Junto ao bloco 11, passámos pelo pátio do chamado Muro da Morte, local de fuzilamentos. O muro que se vê no memorial é uma reconstrução; o original foi desmantelado ainda durante o funcionamento do campo.


As vedações de arame farpado e as torres de vigilância acompanharam a parte final do percurso exterior. Visitámos também o edifício do crematório I e a antiga câmara de gás. É importante distinguir o que foi preservado do que foi reconstituído: dois dos fornos e a chaminé foram reconstruídos com peças originais depois de terem sido desmontados durante a guerra.




Birkenau
Seguimos depois para Auschwitz II-Birkenau. A entrada atravessada pela linha férrea e o terreno que se prolongava para ambos os lados deram uma escala diferente à segunda parte da visita. A construção de Birkenau começou em 1941; foi aqui que se concentrou a maior parte das instalações de extermínio do complexo.

Caminhámos ao longo da zona ferroviária, passando pela carruagem de mercadorias colocada no recinto utilizada para o transporte das pessoas até aqui, e continuámos até ao memorial e às ruínas das instalações de extermínio. A destruição destes edifícios pelos nazis, no final da guerra, explica parte do estado em que os encontrámos. As ruínas integram o lugar de memória, tal como as estruturas que permaneceram de pé.



A visita prosseguiu pelas barracas. Vimos os espaços de alojamento, os beliches e as latrinas coletivas, além dos longos edifícios de madeira. Depois da área dos carris e do memorial, estes interiores voltavam a centrar o percurso nas condições impostas aos prisioneiros.



Terminada a visita aos dois campos, regressámos a Cracóvia. Este dia ficou dedicado a um lugar de perseguição e assassínio em massa, hoje preservado para documentar os crimes e recordar as vítimas.