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Experiência

Dornes, a Península Encantada do Zêzere

Portugal Dornes

Vila de Dornes

Pertencente ao concelho de Ferreira do Zêzere, no distrito de Santarém, Dornes ocupa uma pequena península que avança sobre as águas da albufeira de Castelo do Bode. É esta localização privilegiada que lhe proporciona uma das imagens mais bonitas da região e que lhe vale o apelido de “Península Encantada”.

Apesar da sua reduzida dimensão, Dornes possui uma longa história. A região esteve ligada aos Templários e, posteriormente, à Ordem de Cristo, tendo a vila recebido foral de D. Manuel I em 1513. Foi também sede de concelho até 1836, altura em que passou a integrar o concelho de Ferreira do Zêzere.

Hoje, o melhor é simplesmente percorrer as suas pequenas ruas a pé, entre o casario tradicional, alguns recantos floridos e as constantes vistas sobre o Zêzere. Dornes é pequena e não demora muito tempo a conhecer, mas é precisamente essa dimensão e tranquilidade que fazem parte do seu encanto.

A Torre Pentagonal – entre a história e a lenda

No ponto mais elevado da vila ergue-se o seu monumento mais emblemático: a Torre Pentagonal de Dornes. A sua invulgar planta de cinco lados torna-a uma construção bastante singular em Portugal.

De origem medieval e associada aos Cavaleiros Templários, a torre ocupava uma posição estratégica sobre o vale do Zêzere, funcionando como ponto de vigilância e defesa do território. Mais tarde, quando perdeu a sua função militar, acabou por ser adaptada a torre sineira da igreja que se encontra mesmo ao lado.

Mas, como acontece tantas vezes em Dornes, a história mistura-se com a lenda. Uma das tradições locais conta que Guilherme de Pavia, homem da confiança da Rainha Santa Isabel, encontrou entre a vegetação uma imagem da Virgem segurando Cristo morto nos braços. A rainha teria então ordenado a construção de uma ermida junto à torre para acolher a imagem.

Segundo a mesma lenda, em redor daquele lugar terá surgido a Vila das Dores, designação que, ao longo dos séculos, teria evoluído até ao atual nome de Dornes.

Independentemente de onde termina a história e começa a lenda, a velha torre continua a dominar a pequena vila e é, sem dúvida, a imagem que mais facilmente associamos a Dornes.

Santuário de Nossa Senhora do Pranto

Mesmo ao lado da Torre Pentagonal encontra-se o Santuário de Nossa Senhora do Pranto, formando os dois edifícios o conjunto monumental mais característico de Dornes.

A tradição relaciona a origem do templo com a Rainha Santa Isabel, embora a igreja que chegou aos nossos dias resulte essencialmente da reedificação realizada em 1453 por D. Gonçalo de Sousa, então Comendador da Ordem de Cristo.

O exterior é relativamente simples, mas o interior guarda alguns elementos interessantes, entre os quais os painéis de azulejos, o púlpito quinhentista, o antigo órgão de tubos e, naturalmente, a imagem de Nossa Senhora do Pranto, representando a Virgem com Cristo morto nos braços.

O santuário continua profundamente ligado às tradições religiosas da região e durante séculos recebeu peregrinos que chegavam a Dornes integrados nos tradicionais Círios. Ainda hoje, as celebrações em honra de Nossa Senhora do Pranto constituem um dos momentos importantes da vida da vila.

Capela de Santo António

Um pouco mais abaixo encontramos a pequena Capela de Santo António, situada junto ao caminho e às escadas que conduzem ao Santuário de Nossa Senhora do Pranto.

É uma construção bastante mais modesta, de arquitetura simples, que facilmente poderia passar despercebida perante o protagonismo da Torre Pentagonal. A sua existência está, no entanto, documentada pelo menos desde o início do século XVIII.

A fachada branca, a porta verde, os pequenos elementos de azulejaria e o cruzeiro de pedra que se ergue em frente formam um bonito conjunto perfeitamente integrado no ambiente da vila.

É apenas uma pequena paragem durante o passeio por Dornes, mas é também um daqueles pormenores que ajudam a descobrir um pouco mais da história e das tradições religiosas da terra.

O Zêzere e a paisagem de Dornes

É praticamente impossível imaginar Dornes sem o Zêzere. A água envolve grande parte da pequena península e acompanha-nos constantemente enquanto percorremos a vila.

O Zêzere nasce na Serra da Estrela e percorre mais de 200 quilómetros até encontrar o Tejo em Constância. Nesta região, porém, a paisagem que observamos foi profundamente transformada pela construção da Barragem de Castelo do Bode, concluída no início da década de 1950.

A criação da enorme albufeira deu ao Zêzere, junto a Dornes, o aspeto largo e tranquilo que hoje conhecemos e tornou ainda mais especial a localização da vila.

Nos meses mais quentes, o rio convida a um mergulho e à prática de atividades como canoagem, caiaque ou paddle. Mas não é necessário entrar na água para desfrutar do lugar. Caminhar junto à margem, parar num dos pequenos cais ou simplesmente ficar alguns minutos a contemplar o rio é suficiente para perceber que o Zêzere é muito mais do que o cenário de Dornes.

Reinado de Dom Dinis

Para esta escapadinha escolhemos ficar no Reinado de Dom Dinis, uma pequena Casa de Campo situada praticamente junto às águas do Zêzere.

Aberto em 2023, o alojamento possui apenas oito quartos, proporcionando um ambiente tranquilo e intimista que combina particularmente bem com Dornes.

Mas aquilo que mais nos agradou foi a sua relação com a paisagem. A proximidade do rio e as vistas sobre o Zêzere permitem continuar a desfrutar do ambiente de Dornes mesmo depois de terminarmos o passeio pela vila.

O próprio nome do alojamento transporta-nos para a história da região. D. Dinis e a Rainha Santa Isabel estão inevitavelmente ligados ao imaginário medieval português e, no caso de Dornes, a Rainha Santa surge também associada a uma das principais lendas da vila.

Dornes – vale a pena visitar?

Dornes não é um destino onde encontramos uma longa lista de monumentos ou atrações. E talvez seja precisamente aí que reside grande parte do seu encanto.

É uma vila para percorrer devagar, subir e descer as pequenas ruas, descobrir a Torre Pentagonal, entrar no Santuário de Nossa Senhora do Pranto e, sobretudo, aproveitar a paisagem proporcionada pelo Zêzere.

Dornes é pequena, tranquila e genuína. Um daqueles lugares onde a história e as lendas se encontram junto à água e que nos recordam que, por vezes, não é preciso ir muito longe para descobrir lugares especiais em Portugal.

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