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Experiência

Qatar, Doha – Corniche, skyline e Museu de Arte Islâmica

Qatar

Doha foi a nossa primeira descoberta do Qatar, uma cidade onde o contraste entre a arquitetura contemporânea e as referências à tradição se torna evidente desde os primeiros momentos. De um lado, os arranha-céus de West Bay desenham uma paisagem moderna; do outro, o mar, os tradicionais barcos de madeira e alguns dos edifícios mais emblemáticos da cidade recordam uma história muito anterior ao crescimento das últimas décadas.

Neste primeiro dia começámos precisamente pela zona moderna de Doha, antes de seguirmos ao longo da baía em direção à Corniche e ao Museu de Arte Islâmica.

West Bay concentra grande parte da imagem contemporânea de Doha. Os seus arranha-céus, com formas e fachadas muito distintas, formam um skyline que se tornou numa das imagens mais reconhecidas da capital do Qatar.

Ao aproximarmo-nos desta zona pudemos observar alguns destes edifícios de perto, antes de encontrarmos uma perspetiva mais aberta sobre a cidade a partir da marginal.

A partir daqui seguimos pela Corniche, a longa avenida marginal que acompanha a baía de Doha. O percurso junto ao mar permite observar a cidade de diferentes ângulos e, à medida que nos afastávamos de West Bay, começávamos a ter uma visão cada vez mais completa do conjunto de arranha-céus.

A baía funciona quase como um enorme espaço aberto entre as diferentes zonas da cidade. O azul do Golfo contrasta com os edifícios modernos e, ao longo da Corniche, surgem jardins, espaços pedonais e vários pontos de onde é possível parar para apreciar a paisagem.

Durante o percurso encontrámos também algumas esculturas e elementos decorativos que pontuam a marginal.

Continuando ao longo da baía, a distância em relação aos arranha-céus permitiu-nos encontrar uma das melhores perspetivas sobre West Bay. É daqui que se percebe verdadeiramente a dimensão da transformação urbana de Doha, com praticamente todo o skyline moderno concentrado do outro lado da água.

Mas a paisagem da Corniche não é feita apenas de arquitetura moderna. Junto à água começámos a encontrar os tradicionais dhows, embarcações de madeira utilizadas durante séculos nesta região do Golfo.

Antes da exploração de petróleo e gás transformar profundamente a economia do Qatar, o mar tinha um papel essencial na vida do território. A pesca, o comércio marítimo e sobretudo a procura de pérolas faziam parte das principais atividades das populações costeiras.

A presença destes barcos tradicionais com o skyline moderno ao fundo cria um dos contrastes mais interessantes de Doha. Em poucos metros convivem duas imagens completamente diferentes da cidade: os dhows associados ao passado marítimo do Qatar e os arranha-céus que simbolizam a sua rápida transformação contemporânea.

Continuámos pela zona do antigo porto, onde encontramos outras referências à relação histórica do Qatar com o mar. Entre elas destaca-se o enorme monumento em forma de ostra e pérola, uma clara referência à importância que a recolha e comércio de pérolas tiveram na economia do país antes da descoberta do petróleo.

Pouco depois começámos a aproximar-nos de um dos edifícios mais emblemáticos de Doha: o Museu de Arte Islâmica.

Construído numa pequena ilha artificial junto à Corniche, o museu foi projetado pelo arquiteto I. M. Pei. A sua arquitetura geométrica, composta por diferentes volumes sobrepostos, destaca-se imediatamente junto às águas da baía.

A aproximação ao museu permite observar o edifício de diferentes perspetivas. Rodeado pela água e por amplos espaços exteriores, o Museu de Arte Islâmica parece quase isolado da restante cidade, apesar de se encontrar muito próximo do centro de Doha.

Entrámos depois no museu para conhecer o seu interior. O grande átrio central revela uma arquitetura bastante diferente da aparência exterior, com vários pisos organizados em torno de um enorme espaço aberto e uma grande superfície envidraçada voltada para a baía.

A coleção do museu reúne peças de arte islâmica provenientes de diferentes regiões e períodos históricos, abrangendo mais de mil anos de produção artística. Cerâmica, manuscritos, joalharia, têxteis e objetos trabalhados em diferentes materiais ajudam a mostrar a diversidade artística desenvolvida ao longo de séculos no mundo islâmico.

Entre as peças expostas fomos encontrando objetos bastante distintos, alguns apresentados em salas mais escuras onde a iluminação se concentra exclusivamente sobre as obras.

Um dos elementos de que mais gostámos no edifício foi a relação permanente entre o interior do museu e a cidade. Através das grandes janelas surgem diferentes enquadramentos sobre a baía e sobre o skyline de Doha.

Depois da visita voltámos ao exterior, onde encontrámos novamente uma ampla vista sobre a baía. A partir desta zona, West Bay surge praticamente do outro lado da água e permite reunir numa única paisagem grande parte da Doha moderna que tínhamos percorrido durante o dia.

Terminávamos assim esta primeira descoberta de Doha. Ao longo de poucas horas tínhamos passado dos arranha-céus de West Bay para a Corniche, encontrado os tradicionais dhows e terminado num dos principais espaços culturais da cidade.

Foi também um primeiro contacto com aquele que viria a ser um dos aspetos mais marcantes de Doha: a proximidade constante entre uma cidade profundamente moderna e elementos que continuam a recordar o passado marítimo e as tradições do Qatar.

Nos dias seguintes continuaríamos a descobrir esse contraste, primeiro entre a modernidade de The Pearl e os espaços culturais de Katara e, mais tarde, nas ruas e lojas do Souq Waqif.

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