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Experiência

Senegal – Ilha de Gorée e Dakar

Senegal

Saímos cedo em direção a Dakar para aquele que seria o nosso último grande passeio desta viagem pelo Senegal. Depois de chegarmos à capital, dirigimo-nos diretamente ao porto, de onde partem os ferries que fazem a ligação à Ilha de Gorée. A ilha encontra-se apenas a alguns quilómetros da costa de Dakar, mas a curta travessia pelo Atlântico leva-nos até um lugar com uma história completamente diferente daquela que tínhamos encontrado nos restantes dias da viagem.

Chegada à Ilha de Gorée

À medida que nos aproximávamos de Gorée começaram a surgir as primeiras casas coloridas junto à costa. A pequena ilha tem apenas cerca de 28 hectares e está situada a aproximadamente 3,5 quilómetros de Dakar, mas desempenhou durante vários séculos um importante papel na história desta região de África. A sua posição estratégica fez com que, desde o século XV, fosse disputada e sucessivamente controlada por diferentes potências europeias, entre elas portugueses, neerlandeses, ingleses e franceses.

A história de Gorée ficou, acima de tudo, profundamente ligada ao tráfico atlântico de pessoas escravizadas. A ilha tornou-se um dos símbolos mundiais desse período e, pela importância do seu património histórico, foi inscrita na Lista do Património Mundial da UNESCO em 1978, sendo um dos primeiros locais africanos a receber essa classificação.

Museu Histórico do Senegal

A nossa primeira visita foi ao Museu Histórico do Senegal, instalado no antigo Fort d’Estrées. O edifício teve diferentes utilizações ao longo do tempo e chegou a funcionar como prisão antes de receber o museu, inaugurado neste local em 1989. Atualmente pertence ao IFAN da Universidade Cheikh Anta Diop e permite fazer uma viagem bastante mais abrangente pela história do Senegal.

As diferentes salas abordam períodos que vão desde a Pré-História até à história contemporânea, passando pelos antigos reinos senegaleses, pela presença europeia, pela expansão do Islão e pelo tráfico de escravos. Foi uma boa introdução para compreender não apenas a história de Gorée, mas também alguns dos acontecimentos que marcaram o próprio Senegal.

A partir do topo da antiga fortaleza temos uma vista incrível sobre Gorée

Casa dos Escravos

Seguimos depois para o lugar mais conhecido e também mais marcante da Ilha de Gorée: a Casa dos Escravos. O edifício tornou-se um dos principais símbolos da memória do tráfico atlântico de escravos e faz parte do conjunto histórico protegido pela UNESCO.

Independentemente dos debates históricos sobre a dimensão exata do tráfico realizado especificamente através desta casa, a sua importância atual é sobretudo simbólica. Os pequenos compartimentos onde eram mantidas pessoas escravizadas e a famosa abertura voltada para o Atlântico, conhecida como “Porta sem Retorno”, transformaram este espaço num lugar de memória de uma das páginas mais trágicas da história humana.

Gorée é hoje precisamente isso: não apenas um local histórico, mas um lugar de memória e reflexão. A própria UNESCO descreve a ilha como um símbolo do tráfico de escravos e também como um espaço de reconciliação e diálogo entre culturas

Igreja de Saint-Charles

Continuámos a nossa caminhada até à Igreja de Saint-Charles Borromée, situada numa das zonas históricas da ilha. A igreja e a praça onde se encontra fazem parte do núcleo antigo de Gorée, aparecendo já identificadas na documentação histórica utilizada pela UNESCO para a classificação e preservação da ilha.

Depois da carga histórica da visita anterior, esta foi uma paragem mais tranquila antes de continuarmos a percorrer a pé as pequenas ruas de Gorée.

Pelas ruas coloridas de Gorée

Uma das partes mais agradáveis da visita foi simplesmente passear pelas ruas da ilha. Gorée é pequena e praticamente toda a zona histórica pode ser descoberta a pé, entre ruas estreitas, pequenas praças, vegetação e fachadas pintadas em tons fortes de vermelho, amarelo, laranja e branco.

A arquitetura que vemos atualmente é também resultado da longa presença europeia na ilha. Portugueses, neerlandeses, ingleses e franceses disputaram Gorée ao longo dos séculos, deixando diferentes influências. A UNESCO destaca precisamente o património arquitetónico da ilha, onde as antigas construções relacionadas com a escravatura contrastam com as casas mais elegantes que pertenceram a comerciantes.

Mercado Le Village

Durante o passeio passámos também pelo mercado local conhecido como Le Village. Entre pequenas lojas e bancas de artesanato encontrámos vários produtos e lembranças do Senegal, aproveitando a oportunidade para fazer algumas compras antes de regressarmos à zona do porto.

Foi também mais um daqueles momentos em que pudemos simplesmente passear sem um programa rígido, observando o ambiente da ilha e escolhendo algumas recordações para trazer desta viagem.

Almoço junto ao porto

Depois de toda a manhã a percorrer Gorée, regressámos à zona do porto para almoçar num dos restaurantes locais junto à pequena praia. Com o mar mesmo à nossa frente e o movimento dos barcos que fazem constantemente a ligação com Dakar, foi uma pausa bastante agradável antes de deixarmos a ilha.

A praia junto ao porto, com as suas embarcações coloridas e a silhueta de Dakar do outro lado da água, ofereceu-nos ainda algumas das últimas imagens de Gorée antes de apanharmos novamente o ferry.

Regresso a Dakar

Depois do almoço despedimo-nos da Ilha de Gorée e fizemos novamente a curta travessia até Dakar. De regresso ao continente, iniciámos um passeio panorâmico pela capital senegalesa, bastante diferente dos lugares que tínhamos conhecido nos dias anteriores.

Dakar é uma cidade grande, movimentada e densamente construída, contrastando claramente com as aldeias, a savana e os mangais que tinham marcado as nossas outras excursões pelo Senegal.

Pela Corniche de Dakar

Grande parte do nosso percurso foi feito ao longo da Corniche, acompanhando a costa atlântica da cidade. Entre praias, falésias, bairros e diferentes zonas urbanas, fomos atravessando Dakar enquanto observávamos mais um pouco da vida da capital.

Depois de vários dias em que o Oceano Atlântico tinha sido uma presença constante na nossa viagem, foi curioso voltar a encontrá-lo aqui, desta vez enquadrado pela paisagem urbana de uma das grandes cidades da África Ocidental.

Monumento da Renascença Africana

Terminámos o nosso percurso junto a um dos monumentos mais facilmente reconhecíveis de Dakar: o Monumento da Renascença Africana. Erguido numa das colinas da cidade, impressiona imediatamente pelas suas enormes dimensões e pela posição dominante sobre a paisagem envolvente.

A gigantesca escultura representa um homem, uma mulher e uma criança projetados em direção ao futuro e foi concebida como símbolo de uma África que supera o seu passado e olha para uma nova etapa da sua história. Independentemente das diferentes opiniões que o monumento possa suscitar, a sua escala torna-o uma presença verdadeiramente impressionante na paisagem de Dakar.

Foi assim que terminámos o nosso último grande dia de descoberta do Senegal. Gorée mostrou-nos uma parte muito mais dura da história deste território, mas também uma ilha surpreendentemente bonita, marcada pelas suas ruas tranquilas, casas coloridas e localização em pleno Atlântico. Dakar revelou-nos depois uma realidade completamente diferente, a de uma grande e movimentada capital africana.

1 comentário

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  1. Extraordinária aventura Pedro!
    Um dos países da África negra mais fáceis de chegar pela Europa. Talvez um dos meus próximos destinos.
    Obrigado pelo incentivo 🙂

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