Uganda, Bwindi Floresta Impenetrável

Acordámos antes do nascer do sol para iniciar a caminhada rumo aos Gorilas. A excitação é imensa, na véspera começam as instruções e histórias em volta deste encontro. Muita logística entre roupa, calçado e procedimentos.

Antes de começarmos existe uma breve conversa com toda a audiência, seguido da atuação de um grupo de musica e dança local.

Os grupos são compostos por 8 pessoas, acompanhadas por um ranger, 2 militares armados e 3 batedores (trackers) que saem 2 horas antes para localizar a família que nos é destinada.

Ao nosso grupo calhou a família Kahungye (significa Palmeira) portanto iríamos ao encontro da família Palmeira, constituída por um macho alfa (silver back), um macho jovem (black Back) , 6 fêmeas, 1 juvenil e 3 bebés.

Antes da jornada são contratados os carregadores, cuja função é não só carregar a nossa mochila mas principalmente ajudar no percurso, achámos exagerado necessitar de ajuda mas dentro de pouco tempo percebemos o motivo.
Existem cerca de 200 carregadores disponíveis, mas não há saídas suficientes para que trabalhem todos os dias, pelo que é importante esta ajuda à comunidade. Cobram 20 USD por um dia de trabalho, mas a meio da jornada já fazíamos juras de que iríamos pagar o que eles quisessem.

1 hora a caminhar até entrar na zona impenetrável do bosque e aqui começa a parte complicada. O bosque impenetrável de Bwindi é constituído por sete camadas de vegetação, densa e húmida. A delimitação para a zona de cultivo não existe, não há cercas, mas é evidente.

Em contato com o ranger os batedores vão orientando o grupo para nos manter no trilho certo e ao fim de 4 horas finalmente encontrámos a família Palmeira. Uma emoção ver estes animais a interagir, não há muitas palavras deixamos aqui algumas imagens.

Quando se encontra a família há que continuar no encalço, temos que nos movimentar rapidamente por entre uma vegetação cerrada, a inclinação é muito acentuada, há zonas onde descemos a escorregar de costas, por entre Ramos partidos, folhas de árvores, muitos insetos. Os batedores vão cortando os galhos para permitir passagem, não há trilhos nem se percebe por onde passar. Cursos de água misturam-se com a vegetação, com muita lama à mistura. É evidente a constituição do bosque em camadas.. imponente e assustador.

Debaixo de chuva torrencial e ao nos aproximarmos de uma fêmea com um bebé, o macho Alfa aparece e coloca-se em alerta, sem grandes movimentos. O ranger dá indicação para nos aproximarmos ainda mais e é nesta altura que percebemos a fragilidade da situação!! Estávamos a cerca de 3 metros. O Macho investe aos urros com os dentes de fora e a bater no peito para cima de nós. Todas as instruções de segurança esquecidas, o batedor lança a catana para assustar o Gorila , nós caímos de costas a tentar fugir, óculos no ar, câmaras a voar … digno de filme. Ficamos a tremer por minutos a assimilar a situação. São mesmo selvagens, indomáveis e maravilhosos.

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