No segundo dia atravessámos a Ponte Carlos em direção ao Castelo. Do rio, a Catedral de São Vito já se erguia sobre os telhados de Malá Strana, antecipando a visita da manhã. O percurso acabaria por nos mostrar Praga de várias alturas: do palácio e das encostas do Castelo às torres da ponte e da Câmara Municipal.

Pela Ponte Carlos até ao Castelo
Atravessámos a ponte entre as esculturas e as vistas sobre o Vltava. A sua construção começou em 1357, por iniciativa de Carlos IV, e a ligação entre as duas margens continua a ser uma das imagens mais reconhecíveis da cidade.
Do lado de Malá Strana, passámos sob as torres e seguimos pela Mostecká. A cúpula e a torre da Igreja de São Nicolau enquadravam a rua, entre fachadas que acompanhavam a subida em direção ao Castelo.


Em Hradčany chegámos à entrada do complexo. Depois das grades monumentais e dos guardas, os pátios foram revelando uma escala diferente: grandes fachadas, portais e uma fonte, antes de a catedral dominar o espaço.
O Castelo não se resumia a um único edifício. A visita levou-nos por lugares com funções e ambientes distintos, de espaços religiosos a salas do antigo palácio e pequenas casas.


A Catedral de São Vito
Diante da fachada da catedral, foi preciso levantar os olhos para acompanhar as torres e os portais. A construção gótica começou em 1344, sob Carlos IV, e o interior continuava essa sensação de altura através das colunas e das abóbadas.
Percorremos a nave e as zonas acessíveis junto às capelas. Os vitrais introduziam cor na pedra, enquanto a rosácea marcava uma das grandes perspetivas do interior. Entre os monumentos funerários, o túmulo de São João Nepomuceno destacava-se pela profusão de figuras e pelo brilho metálico.
Havia muito para observar, mas era a relação entre a luz, a altura e a sucessão dos arcos que unia aqueles pormenores.





O palácio e a Basílica de São Jorge
No Antigo Palácio Real, uma varanda devolveu-nos a vista sobre Praga. Depois da concentração nos interiores da catedral, voltavam a aparecer os telhados, as torres e a cidade estendida para lá da colina.
O Salão Vladislav oferecia outra escala. A grande sala, com as nervuras da abóbada a desenharem curvas sobre o espaço, foi utilizada para cerimónias e festividades da corte. Percorrê-la permitia apreciar tanto a amplitude como o trabalho da cobertura.


Continuámos para a Basílica de São Jorge. A fachada avermelhada dava lugar a um interior de pedra mais sóbrio, com arcos, colunas e uma nave que conduzia o olhar para a zona elevada do altar.
Depois da complexidade de São Vito, a basílica tinha uma leitura mais simples. Parámos também junto da decoração pintada no interior, antes de prosseguir a visita pelo complexo.



A Viela Dourada
Na Viela Dourada, a escala voltou a mudar. As casas pequenas e coloridas acompanhavam a rua, muito próximas umas das outras, e o percurso levou-nos também à exposição de armas e armaduras.
Entre as peças alinhadas e os corredores estreitos, houve lugar para uma experiência mais prática: experimentámos disparar uma besta. Cada um teve a sua vez, antes de regressarmos às fachadas da viela e à casa com o número 22.





Descer até Malá Strana
À saída do Castelo, as vistas abriram-se sobre os telhados de Malá Strana. Seguimos pelas escadarias, deixando progressivamente os pátios e as muralhas para trás.
Mais abaixo, passámos pelos Jardins Wallenstein. O lago, a ilha com a escultura e as fachadas refletidas na água introduziam um intervalo no percurso, com o Castelo ainda visível ao fundo.



A caminhada continuou junto ao Museu Franz Kafka, onde observámos a escultura das duas figuras sobre uma base com água. O passeio prosseguiu pelas ruas próximas e pelo canal Čertovka, entre edifícios e pequenos arcos.


A ponte vista de baixo e de cima
Voltámos à Ponte Carlos para regressar à Cidade Velha. Desta vez, o percurso incluiu novas paragens junto das esculturas, entre elas a de São João Nepomuceno, e uma vista da ponte acompanhando o movimento de quem a atravessava.


Na margem da Cidade Velha subimos à torre da ponte. Lá de cima, o caminho que acabávamos de fazer tornou-se uma linha contínua sobre o rio, terminando nos telhados de Malá Strana e no Castelo.
A vista reunia, num só enquadramento, várias etapas da manhã. Era também uma oportunidade para perceber o desenho da ponte e a forma como as duas margens se aproximavam através dela.

A Câmara Municipal da Cidade Velha
A segunda subida do dia levou-nos à torre da Câmara Municipal. Em vez do rio, tínhamos agora a praça mesmo por baixo: o monumento a Jan Hus, as fachadas alinhadas e as torres de Týn quase à nossa frente.
Demos a volta aos diferentes enquadramentos. Os edifícios que no dia anterior tínhamos observado da rua surgiam agora como um conjunto de telhados e pátios, com as torres a marcar os pontos de referência.



A visita continuou nos interiores históricos da Câmara Municipal. Passámos pela capela e pelas salas decoradas e pudemos observar de perto as figuras dos apóstolos do Relógio Astronómico.
Depois de conhecer a fachada pelo exterior, aquele contacto com o interior acrescentava outra dimensão ao relógio e ao edifício que o guarda.



Aspects of Alice no Ta Fantastika
Depois de uma pausa para comer, terminámos o dia no Ta Fantastika, onde assistimos a Aspects of Alice. A entrada e o cartaz anunciavam o teatro negro, uma mudança de ambiente depois de tantas horas a percorrer Praga.
Do Castelo às duas torres, o dia tinha alternado interiores monumentais e vistas sobre a cidade. O espetáculo foi a última etapa, já longe das escadarias e dos miradouros que tinham marcado o percurso.

