Depois de nos instalarmos, saímos para conhecer a cidade a pé, começando pela Praça da República. Entre fachadas decoradas, elétricos e ruas que se estreitavam em direção ao centro histórico, o primeiro passeio levou-nos da Cidade Velha às margens do Vltava. Ainda voltaríamos a muitos destes lugares, mas nesse dia conhecemo-los primeiro à luz da tarde e depois iluminados pela noite.

Da Praça da República à Cidade Velha
Na Praça da República, o espaço aberto permitia observar o movimento dos elétricos e as fachadas que rodeavam o Palladium. Pouco adiante, a Casa Municipal e a Torre da Pólvora apresentavam dois rostos muito diferentes de Praga, praticamente lado a lado.
A Casa Municipal, com a sua decoração Arte Nova e o grande mosaico sobre a entrada, contrastava com a pedra escura da torre. A construção desta última começou em 1475; o nome pelo qual a conhecemos está ligado à sua utilização posterior como armazém de pólvora. Era também por aqui que os cortejos de coroação entravam na Cidade Velha.
Ficámo-nos pelos exteriores e continuámos pela Celetná. A rua conduziu-nos entre fachadas, portais e pequenas aberturas para outras ruas, até as torres de Týn começarem a aparecer por cima dos telhados.



A Praça da Cidade Velha
Ao chegar à praça, o enquadramento mudou. À frente das torres da Igreja de Nossa Senhora diante de Týn alinhavam-se edifícios mais baixos; noutro lado, o Palácio Kinský e a Casa do Sino de Pedra acrescentavam fachadas muito diferentes ao conjunto. Havia pessoas a atravessar em todas as direções e carruagens junto à Igreja de São Nicolau.
Percorremos a praça, parando em vários pontos. De perto, eram os pormenores das fachadas que prendiam o olhar; com algum espaço, voltavam a destacar-se as torres e os telhados.



A Câmara Municipal trouxe-nos ao Relógio Astronómico. O seu núcleo remonta a 1410, mas, diante da fachada, a primeira tarefa era simplesmente perceber para onde olhar: o mostrador astronómico, o calendário por baixo e as figuras que enquadravam o conjunto.
Depois de uma vista mais ampla, aproximámo-nos dos detalhes. Nas imediações, a Casa do Minuto prolongou essa atenção às fachadas, com a decoração em esgrafito a cobrir as paredes.



Pelas ruas até ao rio
Seguimos por Malé náměstí e pelas ruas da Cidade Velha. As pequenas praças abriam-se entre passagens estreitas, e o passeio foi alternando entre perspetivas mais amplas e pormenores quase por cima das nossas cabeças.
Um desses pormenores era difícil de ignorar: a figura de um homem suspenso de uma barra, acima da rua, segurando-se com uma mão. Entre tantas fachadas antigas, aquela escultura introduzia uma surpresa bem diferente.


A chegada à zona da Ponte Carlos abriu o horizonte. Passámos pela praça junto à torre, com a Igreja de São Salvador ao fundo, e aproximámo-nos do rio. Do parapeito, víamos os edifícios de Novotného lávka e a água a passar junto às estruturas de madeira.
Continuámos pela margem do Vltava. O Castelo surgia do outro lado, numa posição que ajudava a perceber a relação entre a colina e a cidade junto ao rio. A travessia e a visita ao Castelo ficariam para o dia seguinte.



Na caminhada ribeirinha passámos pelo monumento de Kranner e chegámos ao Teatro Nacional. A fachada e os remates dourados do edifício destacavam-se sobre a rua, por onde continuavam a passar elétricos e automóveis. Nesse primeiro encontro, observámo-lo pelo exterior.


Uma passagem pela Nová scéna e Praga ao anoitecer
Mais tarde entrámos no foyer da Nová scéna, associada à Laterna magika. A iluminação geométrica suspensa sobre o bar contrastava com os interiores históricos que viriam nos dias seguintes. Dali também observámos a rua e os elétricos através das janelas.


Ao anoitecer, voltámos a olhar para o Vltava. O Castelo iluminado refletia-se na água sob um céu ainda azul, agora com uma presença diferente da que tinha durante a tarde.
O regresso pelo centro levou-nos novamente ao Relógio Astronómico e à Casa Municipal. A luz artificial salientava figuras, mosaicos e contornos que já tínhamos observado de dia. O primeiro passeio terminava assim nos lugares por onde tínhamos começado, mas com outra luz.


