O dia 25 de maio começou no Louvre e continuou pela cidade até ao Arco do Triunfo e aos grandes armazéns do boulevard Haussmann. A vista da pirâmide, enquadrada por uma janela do palácio, resume bem a primeira parte do dia: no Louvre, o próprio edifício também fazia parte da visita.

Entre as salas do Louvre
Entrámos num museu que ocupa um antigo palácio real e que abriu ao público em 1793. Essa sobreposição estava presente em todo o percurso: passávamos de uma obra para outra, mas também de salas mais contidas para escadarias e galerias de grande aparato.
Na nossa passagem pelas coleções encontrámos a Mona Lisa e a Vitória de Samotrácia. A diferença entre os dois encontros era evidente: a pintura concentrava a atenção numa superfície pequena, enquanto a escultura, no alto da escadaria, dominava o espaço à sua volta.


A Galerie d’Apollon levou-nos a olhar também para o teto e para as paredes. Os dourados, as pinturas e a sucessão de elementos decorativos preenchiam o espaço de ponta a ponta. Aqui, fazia sentido parar antes de continuar para as peças expostas nas salas seguintes.

O percurso pelas antiguidades abriu uma sequência de formas e escalas muito diferentes. Vimos a Vénus de Milo, a grande esfinge e um sarcófago com um casal representado sobre a tampa. Depois vieram os relevos de arqueiros, os grandes touros alados e a estela do Código de Hamurábi.
As figuras repetidas, as inscrições e os animais monumentais pediam maneiras distintas de observar. Algumas peças preenchiam uma passagem inteira; noutras, eram os detalhes da superfície que nos faziam aproximar. Esta parte da visita acabou por ser uma viagem por diferentes modos de representar pessoas, poder e crenças.






Dos pátios cobertos, com esculturas distribuídas num espaço mais luminoso, passámos aos apartamentos de Napoleão III. A sala de jantar e os salões, entre lustres, mobiliário e tecidos vermelhos, voltavam a trazer o palácio para o centro da visita. Depois de tantas peças isoladas, víamos agora ambientes inteiros.



Antes de sairmos, ainda parámos junto às janelas voltadas para o pátio e à estrutura envidraçada da pirâmide. A relação entre o edifício antigo e o vidro acompanhou assim o final do percurso, já na transição das salas do museu para a cidade.


Do Carrousel ao Arco do Triunfo
Cá fora, continuámos pelo Arco do Carrousel e pelo Jardim das Tuileries. Depois da sucessão de salas do Louvre, o jardim devolvia-nos uma vista aberta, com caminhos, árvores e espaço para perceber a direção do passeio. Seguimos depois pelos Champs-Élysées até ao Arco do Triunfo.



Aproximámo-nos da base do monumento para observar os relevos, as inscrições e o Túmulo do Soldado Desconhecido. O arco tinha sido encomendado por Napoleão, mas só foi inaugurado em 1836, depois de um longo processo de construção que atravessou diferentes regimes políticos.
A nossa visita fez-se ao nível do chão. Foi dali que vimos os grupos esculpidos e o espaço sob a abóbada, onde a dimensão comemorativa do monumento se tornava mais próxima do que na perspetiva distante da avenida.


Uma pausa no Chartier e duas cúpulas
Mais tarde parámos no Bouillon Chartier. A sala, com a sua altura, os espelhos e as mesas próximas, fazia parte da experiência tanto como a refeição. À mesa houve também escargots, num momento em que o passeio se prolongou pela gastronomia francesa.



Seguimos para as Galeries Lafayette e para o Printemps. Nestes grandes armazéns, foi sobretudo a arquitetura que nos fez levantar os olhos. A cúpula das Galeries Lafayette, inaugurada em 1912 e ligada à Arte Nova, aparecia sobre os vários níveis de varandas decoradas.
No Printemps encontrámos outra cobertura de vidro, dominada pelos azuis. Eram dois interiores distintos, vistos na mesma etapa do passeio, e que davam aos grandes armazéns um interesse para além das montras.



Pelas ruas até ao Passage des Panoramas
Ainda entrámos em Saint-Louis-d’Antin e passámos pela estação de Saint-Lazare, onde a acumulação de relógios de Arman se destacava no exterior. Continuámos depois até à Trinité, observada da rua. Entre estes pontos, o percurso voltava a fazer-se de fachadas e pequenas paragens, depois dos grandes espaços do museu e das avenidas.



O Passage des Panoramas fechou o dia com as suas lojas e a cobertura envidraçada. Depois de começarmos entre obras de arte e salas palacianas, terminámos numa passagem em que a cidade se deixava percorrer mais devagar. O fio comum tinha sido esse prazer de olhar também para os espaços, mesmo quando não eram o destino principal.

