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Experiência

Roma — Coliseu, Palatino e Fórum Romano

Itália Roma

O terceiro dia em Roma concentrou-se primeiro na cidade antiga. O Coliseu, o Palatino e o Fórum Romano formavam um percurso contínuo, capaz de ligar a escala monumental do anfiteatro às ruínas que ocuparam o centro da vida política e religiosa de Roma.

Mais tarde regressaríamos ao centro histórico, mas era neste grande núcleo arqueológico que o dia encontrava a sua identidade.

vista panorâmica sobre o Fórum Romano

Dentro do Coliseu

O Coliseu impõe-se ainda antes de entrarmos. A sucessão de arcos exteriores deixa perceber a dimensão do edifício, mas só no interior se revela a complexidade da sua estrutura. As bancadas desapareceram em grande parte e o piso da arena já não esconde a rede de paredes e corredores que existia por baixo, expondo uma organização muito diferente da imagem original do anfiteatro.

Construído no século I pela dinastia Flávia, o Coliseu acolheu espetáculos públicos durante vários séculos. O que permanece permite compreender a forma oval do recinto, a distribuição dos níveis e a relação entre a arena, as galerias e os lugares destinados aos espectadores.

Percorremos os espaços acessíveis em redor do anfiteatro, alternando perspetivas sobre a arena e sobre as estruturas interiores. De um lado, os arcos sobrepunham-se em sucessivos níveis; do outro, as fundações e divisões sob o antigo pavimento formavam um desenho denso de tijolo e pedra.

A ausência de grande parte das bancadas muda a leitura do monumento. Em vez de uma superfície contínua em torno da arena, víamos as camadas construtivas que sustentavam o edifício e as estruturas subterrâneas onde se preparavam os espetáculos e de onde homens e animais eram elevados até à arena por sistemas de monta-cargas. Essa exposição quase anatómica tornava mais clara a engenharia necessária para fazer funcionar um espaço desta dimensão.

Entre o Palatino e o Fórum Romano

Do Coliseu passámos ao Palatino. A colina está ligada às origens de Roma e tornou-se, ao longo do período imperial, o lugar das residências dos imperadores. A própria palavra latina Palatium acabaria por dar origem ao termo usado em várias línguas para designar um palácio.

Aqui, o ambiente era muito diferente do anfiteatro. Caminhos entre árvores e áreas ajardinadas cruzavam conjuntos de muros, arcadas e fundações. As ruínas nem sempre permitiam reconstituir facilmente a forma dos edifícios, mas a extensão das estruturas revelava a escala que as residências imperiais alcançaram sobre a colina.

O Palatino alternava espaços fechados por paredes altas com zonas abertas sobre a cidade. Entre jardins e vestígios de antigas construções, as vistas começavam a incluir o vale do Fórum Romano, estabelecendo uma relação direta entre a área residencial da colina e o centro público situado mais abaixo.

Essa mudança de perspetiva preparava a descida para o Fórum. Durante séculos, este foi um dos principais centros políticos, religiosos, jurídicos e comerciais de Roma. Templos, basílicas, monumentos comemorativos e edifícios públicos concentravam-se num espaço relativamente compacto, atravessado pela Via Sacra.

Hoje, o conjunto surge fragmentado. Colunas isoladas, pórticos incompletos, pavimentos e paredes de épocas diferentes convivem no mesmo campo arqueológico. Em vez de procurarmos reconstruir cada edifício, foi a sobreposição do conjunto que marcou a passagem: uma paisagem de ruínas rodeada pela cidade contemporânea.

Visto do alto, o Fórum parecia encaixado entre o Palatino, o Capitólio e os bairros que cresceram à sua volta. Já ao nível dos antigos percursos, as proporções mudavam e as estruturas recuperavam parte da sua escala. Havia sempre uma nova linha de colunas, um arco ou uma fachada antiga a surgir entre a vegetação e os caminhos.

De Piazza Venezia ao centro histórico

A saída da área arqueológica levou-nos em direção a Piazza Venezia. O branco do Vittoriano destacava-se desde vários pontos do Fórum, criando uma passagem visual abrupta entre a Roma antiga e o monumento erguido após a unificação italiana.

Construído em homenagem a Vittorio Emanuele II, o primeiro rei da Itália unificada, o edifício organiza-se através de grandes escadarias, terraços, colunatas e grupos escultóricos. No centro, a estátua equestre domina a composição; mais acima, duas quadrigas rematam o monumento.

Vittoriano visto de Piazza Venezia

Piazza Venezia funcionou como charneira entre as ruínas e o regresso às ruas do centro. A partir desse ponto, o percurso voltou a entrar no tecido de praças, igrejas e fachadas já mais próximo do primeiro contacto que tínhamos tido com Roma.

Chegámos novamente à Piazza della Rotonda. O Panteão já não era uma descoberta, mas o movimento em redor da fonte e do pórtico dava à praça uma imagem diferente. Voltámos também ao interior, desta vez sem repetir a demora do primeiro encontro com a cúpula e o óculo.

Perto dali, entrámos em Santa Maria sopra Minerva. Por detrás de uma fachada discreta encontra-se um interior gótico pouco habitual em Roma, marcado por pilares revestidos de mármore e abóbadas azuis cobertas por estrelas e motivos dourados. A diferença em relação ao espaço clássico do Panteão, a poucos passos de distância, era imediata.

O regresso a Piazza Navona e Trevi

O caminho trouxe-nos de novo a Piazza Navona. Já conhecíamos a forma alongada da praça, as fontes e a fachada de Sant’Agnese in Agone, mas regressar permitia observá-las dentro de outro momento do dia. A luz tornara-se mais suave e a praça estava cheia, com o movimento a ocupar quase todo o espaço entre os edifícios e as fontes.

Este segundo encontro não precisava de repetir a história da praça. Depois de um dia dominado por ruínas e monumentos antigos, bastava atravessá-la novamente para sentir o contraste entre o campo arqueológico do Fórum e um dos grandes cenários barrocos da cidade.

Quando chegámos à Fontana di Trevi, já era noite. A praça mantinha-se movimentada, mas a iluminação mudava por completo a fonte. As figuras e a fachada do Palazzo Poli emergiam da sombra, enquanto os pontos de luz junto à água destacavam as quedas e os reflexos sobre a pedra.

Fontana di Trevi iluminada à noite

Era também um regresso, mas não uma repetição. Vista durante o dia, a fonte tinha impressionado pela forma como preenchia a pequena praça; à noite, o mesmo espaço tornava-se mais fechado e teatral, construído pelo contraste entre a água iluminada e as fachadas escuras em redor.

O percurso terminava assim num lugar já conhecido, depois de um dia dedicado sobretudo às origens e ao centro público da Roma antiga. Do interior do Coliseu às ruínas do Palatino e do Fórum, a cidade tinha revelado uma escala diferente daquela que encontráramos nas praças e igrejas dos dias anteriores.

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