Naquele primeiro dia, o percurso desenhou-se entre praças, ruas, fontes e monumentos, numa primeira passagem pelo centro histórico da cidade.
Não foi uma tentativa de conhecer Roma inteira de uma só vez. Foi antes um primeiro contacto entre alguns dos lugares que definem a imagem da capital italiana. Da Piazza Barberini à Fontana di Trevi, a cidade foi-se revelando camada após camada, alternando a escala monumental com ruas estreitas e vistas inesperadas sobre os telhados.

De Piazza Barberini à Escadaria Espanhola
O percurso começou na Piazza Barberini, uma praça movimentada onde o trânsito contemporâneo circula em redor de uma das obras mais reconhecíveis de Gian Lorenzo Bernini. No centro encontra-se a Fontana del Tritone, encomendada pelo papa Urbano VIII Barberini e executada no século XVII.
O Tritão ergue-se sobre uma grande concha sustentada por quatro golfinhos, soprando o búzio de onde brota a água. As abelhas que aparecem na base pertencem ao emblema da família Barberini, deixando bem visível a ligação entre a fonte, a praça e o papa que a mandou construir.

A partir daqui, seguimos pelas ruas do centro até à zona de Trinità dei Monti. A igreja domina o alto da colina e marca o topo da Escadaria Espanhola, enquanto a Piazza di Spagna se abre lá em baixo, já cheia de movimento.
Construída no século XVIII, a escadaria resolveu de forma cenográfica o desnível entre a colina e a praça. As rampas mudam de direção, alargam-se e voltam a encontrar-se, criando sucessivas perspetivas sobre a cidade. Aos seus pés está a Fontana della Barcaccia, desenhada por Pietro Bernini com a forma de uma embarcação parcialmente submersa.




Do alto, Roma apresentava-se como uma extensão compacta de fachadas ocres, cúpulas e terraços. Era uma imagem diferente da escala das praças: mais ampla, mas também feita de pequenos detalhes sobrepostos, com a cidade a prolongar-se até ao horizonte.

Depois da agitação da escadaria, o caminho continuou pelo tecido denso do centro histórico. As ruas estreitam-se entre edifícios altos, abrem-se subitamente em pequenas praças e voltam a conduzir a monumentos cuja dimensão só se percebe quando surgem mesmo à nossa frente.
Do Panteão a Piazza Navona
Foi assim com o Panteão. A fachada clássica, precedida pelo pórtico de grandes colunas, ocupa um dos lados da Piazza della Rotonda. A inscrição dedicada a Marco Agripa mantém-se no frontão, embora o edifício atual resulte sobretudo da reconstrução realizada durante o reinado do imperador Adriano, no século II.




Depois de atravessarmos o pórtico, entrámos no Panteão. No interior, é a geometria que domina: a altura da rotunda corresponde aproximadamente ao diâmetro da cúpula, ambos com pouco mais de 43 metros. No centro, o óculo é a única fonte de luz natural direta e a claridade que o atravessa transforma a perceção da enorme cobertura de betão.
O Panteão atravessou os séculos com uma continuidade rara entre os edifícios da Roma Antiga. Consagrado como igreja no início do século VII, passou a chamar-se Santa Maria ad Martyres, uma transformação que contribuiu para a sua preservação.
Pouco depois, o percurso chegou a Piazza Navona. A forma longa e arredondada da praça não é casual: segue o traçado do antigo Estádio de Domiciano, construído neste local durante o Império Romano. Sobre essa estrutura nasceu um dos grandes cenários barrocos da cidade.
Ao centro está a Fontana dei Quattro Fiumi, concebida por Bernini para o papa Inocêncio X. Em redor do obelisco, quatro figuras representam o Danúbio, o Ganges, o Nilo e o Rio da Prata — uma visão simbólica dos continentes conhecidos na época. A fonte partilha a praça com a Fontana del Moro e a Fontana del Nettuno, criando diferentes pontos de atenção ao longo do espaço.




Ao longo da praça, as fontes, as fachadas e o movimento formam um cenário contínuo. A fachada de Sant’Agnese in Agone completa o conjunto e reforça o carácter barroco do lugar.
O final do percurso na Fontana di Trevi
O primeiro percurso por Roma terminou junto de outro cenário monumental ligado à água. A Fontana di Trevi não se encontra no centro de uma praça ampla: aparece encaixada entre as ruas e ocupa praticamente toda a fachada do Palazzo Poli. Essa aproximação torna a descoberta particularmente súbita, com a arquitetura, a escultura e a água a preencherem o espaço de uma só vez.

A composição projetada por Nicola Salvi organiza-se em torno da figura de Oceano, que avança sobre uma carruagem em forma de concha. A pedra parece prolongar-se pelo palácio e descer até à água, apagando a fronteira entre fonte e edifício.
De perto, a escala do conjunto convive com os detalhes da pedra e com o movimento constante da água. Era ainda dia e a praça estava cheia, mas a fonte dominava inteiramente o espaço.




Entre Barberini, Piazza di Spagna, o Panteão, Piazza Navona e Trevi, este primeiro dia desenhou uma introdução bastante completa ao centro histórico. Roma surgiu como uma cidade onde a Antiguidade e o Barroco não aparecem em capítulos separados: convivem nas mesmas ruas, por vezes a poucos minutos de distância.
Este primeiro percurso pelo centro histórico terminava aqui, mas Roma ainda tinha muito para revelar nos dias seguintes.