O último dia em Varsóvia começou no centro, entre avenidas, fachadas e detalhes da arquitetura do pós-guerra. Mais tarde, regressámos à zona antiga para visitar outros espaços da Basílica da Santa Cruz e subir à torre de Santa Ana. A cidade que tínhamos percorrido ao nível da rua voltou a abrir-se diante de nós, agora sobre os telhados da Praça do Castelo.

Da palmeira à Praça da Constituição
Voltámos a passar pela palmeira artificial da rotunda de Charles de Gaulle e pela Praça das Três Cruzes. Sob o céu azul, estes pontos já conhecidos fizeram parte do caminho para uma zona que ainda não tínhamos explorado com o mesmo detalhe: o conjunto urbano em redor da Praça da Constituição.
Aqui, as fachadas estendiam-se ao longo de ruas largas e os edifícios formavam frentes contínuas. A escala das avenidas, as colunatas e os candeeiros monumentais distinguiam claramente este espaço das ruas estreitas do centro antigo.


A praça, concluída em 1952, é um dos elementos centrais do MDM, o conjunto residencial de Marszałkowska. A sua arquitetura pertence ao realismo socialista, num período em que a reconstrução da cidade se cruzava com a representação do novo poder político.
Percorremos os espaços cobertos e observámos os mosaicos, os relevos e os grandes candeeiros. Nos detalhes, a escala monumental dava lugar a figuras humanas e cenas decorativas. A inscrição MDM, acompanhada das datas de 1950 e 1952, ligava uma das composições ao próprio projeto urbano.




De novo junto ao Palácio da Cultura
O percurso trouxe-nos à envolvente do Palácio da Cultura e da Ciência. Desta vez ficámos pelo exterior, observando a torre do relógio e as figuras esculpidas nas fachadas. Depois da subida de dois dias antes, o regresso permitia aproximar o olhar dos elementos que, à distância, se perdiam na dimensão do edifício.


Pelo início da tarde, seguimos novamente para Nowy Świat e Krakowskie Przedmieście. As ruas conduziam-nos à zona antiga, mas ainda havia lugares onde regressar para conhecer uma parte diferente do seu interior.
A Santa Cruz e as imagens de 1944
Na Basílica da Santa Cruz, entrámos nos espaços inferiores. Percorremos uma passagem abobadada com placas memoriais e encontrámos uma apresentação de cartazes e fotografias históricas relacionados com 1944.
Uma das imagens mostrava a figura de Cristo com a cruz caída entre os destroços diante da igreja. Ao sair, a escultura estava novamente diante de nós, sobre a entrada, com a inscrição Sursum Corda. A comparação entre aquela imagem histórica e o exterior do edifício dava uma referência concreta à destruição e à reconstrução de que tínhamos encontrado tantos sinais durante a estadia.




A subida à torre de Santa Ana
Continuámos até Santa Ana e subimos à torre sineira. Do alto, a Praça do Castelo deixava ver a sua forma, os percursos das pessoas e a posição da Coluna de Sigismundo. Os telhados da Cidade Velha surgiam para lá do espaço aberto da praça, enquanto a fachada do Castelo acompanhava um dos seus lados.
A vista prolongava-se na direção do Vístula, das pontes e da outra margem. Era uma perspetiva diferente da que tínhamos tido no Palácio da Cultura: aqui, os edifícios do centro antigo estavam próximos e podíamos relacioná-los com as ruas por onde já tínhamos passado.
Entre as vistas e os sinos da torre, demorámo-nos neste último miradouro da viagem.



O interior de Santa Ana e o último passeio
Depois da descida, entrámos na igreja. Os frescos acompanhavam a abóbada, acima dos altares e dos grandes candeeiros. Do lado oposto, o órgão ocupava a tribuna, acrescentando outro conjunto de detalhes ao interior.



Voltámos às ruas da Cidade Velha, onde havia músicos e artistas de rua, e terminámos o passeio junto ao Barbacã. A despedida de Varsóvia passou assim por lugares do primeiro fim de tarde, depois de quatro dias que tinham acrescentado museus, jardins, o rio e novas perspetivas sobre a cidade.