Saímos de Kuala Lumpur para conhecer Malaca, numa excursão do circuito que seguíamos pela Malásia. O passeio juntou o rio às ruas do centro histórico, com marcas chinesas, portuguesas e holandesas a surgirem ao longo do caminho.

Antes de chegar ao rio
Uma das primeiras paragens levou-nos a um cemitério chinês numa encosta verde. As sepulturas acompanhavam o terreno, algumas com pequenas paredes curvas a delimitar o espaço. Entre as árvores, o conjunto mostrava uma presença chinesa na cidade que voltaríamos a encontrar nos templos e nas ruas comerciais.


Seguimos para o cais de Taman Rempah e embarcámos para um passeio no rio de Malaca. Vistas da água, as margens alternavam casas, passeios e pontes. Passámos pelas casas de telhados inclinados de Kampung Morten e avançámos para zonas onde os edifícios se encostavam mais ao rio.
A embarcação permitiu acompanhar essa mudança sem perder a continuidade das margens. À medida que nos aproximávamos do centro, surgiram fachadas mais antigas, pontes baixas e as torres claras da Igreja de São Francisco Xavier.






A praça vermelha
Já a pé, chegámos ao conjunto do Stadthuys e da Christ Church. O vermelho dos edifícios unificava a praça, mas em redor havia bastante movimento: peões, trânsito e triciclos cobertos de flores à espera de passageiros.
Malaca foi um porto de encontro entre rotas asiáticas e europeias. As presenças portuguesa e holandesa deixaram marcas diferentes no centro histórico, hoje inscrito pela UNESCO juntamente com George Town. Ali, a herança holandesa aparecia nas fachadas que rodeavam a fonte e os canteiros.



Pela colina de São Paulo
Subimos à colina de São Paulo e entrámos nas ruínas da igreja. As paredes sem cobertura deixavam o céu à vista, enquanto as lápides se alinhavam ao longo do interior. A mudança em relação à praça era imediata: menos cor, pedra exposta e aberturas a enquadrar a cidade.
A igreja teve origem no período português e foi depois utilizada pelos holandeses. Percorrer aquele espaço ajudava a perceber como diferentes fases da cidade se sobrepunham no mesmo edifício.



Na descida passámos pela Porta de Santiago, o vestígio mais reconhecível da antiga fortaleza de A Famosa. A porta sobrevivia isolada, com a colina atrás e a circulação da cidade à sua frente. Não era preciso imaginar uma fortaleza inteira para reconhecer ali mais uma ligação de Malaca à presença portuguesa.

Casas antigas e templos
O passeio continuou pelas ruas de casas estreitas e fachadas trabalhadas. Passámos pelo Baba & Nyonya Heritage Museum e seguimos pela zona de Jonker Street, entre lojas, letreiros e pórticos. As casas alinhadas junto à rua davam continuidade ao centro histórico para lá dos monumentos da praça.



No Cheng Hoon Teng entrámos num ambiente de madeira escura, elementos dourados e mesas de oferendas. O templo continua ligado à comunidade chinesa de Malaca; durante a nossa passagem, os espaços de culto mantinham-se em uso, com pessoas junto aos altares.



Mais adiante, a Mesquita Kampung Kling apresentava outra combinação de formas, com o telhado em vários níveis e o minarete branco. Observámo-la do exterior, antes de terminar o passeio por estas ruas.


Regressámos a Kuala Lumpur, onde ainda voltámos à zona das Petronas à noite. A excursão tinha acrescentado ao início urbano da viagem uma cidade feita de margens de rio, comércio e edifícios que guardavam várias camadas da sua história.