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Experiência

Varanasi: o amanhecer no Ganges e os caminhos dos ghats

India

Chegámos aos ghats de Varanasi ainda antes de o dia clarear. Nas ruas de acesso já havia bancas abertas, flores e pessoas a dirigir-se ao rio. O passeio de barco permitiu acompanhar o amanhecer a partir da água, enquanto as escadarias se enchiam de movimento.

Os ghats de Varanasi vistos do Ganges

Até à margem, antes da luz do dia

Percorremos as ruas até ao Ganges e descemos em direção às embarcações. Os ghats são escadarias que ligam a cidade ao rio; em Varanasi, fazem também parte da vida religiosa e quotidiana. Naquele início de dia, os barcos esperavam junto à margem e havia pessoas reunidas nos degraus.

Já no barco, aproximámo-nos do movimento junto à água. Víamos pessoas a banhar-se, a fazer oferendas e a permanecer nas escadas. Também colocámos na água uma pequena oferenda com flores e uma luz, que se afastou da embarcação.

A cidade vista do Ganges

Com mais luz, distinguiam-se as fachadas, as varandas e os templos acima dos ghats. A margem formava uma sucessão de planos: barcos em primeiro plano, degraus ocupados por pessoas e edifícios altos a fechar o horizonte.

Ao longo do percurso, passámos por escadarias largas, roupa a ser lavada e embarcações encostadas umas às outras. O trabalho dos remadores fazia parte dessa paisagem em movimento, ao mesmo tempo que a luz mudava sobre a pedra e sobre a água.

Na zona de Dashashwamedh Ghat, havia uma concentração maior de pessoas e de barcos. Vimos gestos de devoção, pequenas ofertas e a circulação entre os degraus. O passeio não se resumia a um único ponto de observação: cada aproximação à margem deixava perceber uma atividade diferente.

Mais adiante, a presença de lenha e das áreas funerárias trouxe-nos à zona de Manikarnika. Vimo-la a partir do rio, com os espaços funerários ligados às escadarias da margem. A torre inclinada do templo Ratneshwar Mahadev destacou-se junto à água, com o casario por trás.

As ruas e os teares

De volta a terra, continuámos por ruelas estreitas. Passámos por pilhas de madeira, fachadas muito próximas e pequenas passagens onde o rio deixava de estar visível, apesar de continuar perto. A escala mudou outra vez: da frente urbana vista em conjunto passámos para os detalhes das portas e das paredes.

Visitámos ainda um espaço de tecelagem, onde pudemos observar o trabalho num tear. Entre os fios e a estrutura de madeira, acompanhámos o gesto de quem fazia avançar o tecido. Foi uma última paragem ligada a um ofício, depois de uma manhã centrada no rio e nos ghats.

A ligação a Goa fez-se de avião, via Mumbai. Depois do percurso pelo norte da Índia, começava uma etapa com outro ritmo, junto à praia de Benaulim.

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