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Experiência

Washington: entre os dois edifícios da National Gallery of Art

EUA Washington

A National Gallery of Art entrou na viagem em mais do que uma ocasião. Entre os dois edifícios, passámos da pintura e da escultura em salas de desenho clássico para espaços onde a arquitetura e as obras se relacionavam de outra maneira. Estas visitas ficaram também ligadas a passeios pela cidade, sem constituírem um único percurso contínuo.

Móbile de Alexander Calder no East Building

Uma primeira passagem pelas salas

Numa das visitas, percorremos espaços do West Building, entre uma fonte rodeada de plantas e salas de pintura. Passámos por Daniel na Cova dos Leões, de Rubens, e por um autorretrato de Van Gogh. A escala e o modo de ocupar a tela eram muito diferentes; o enquadramento das salas permitia passar de uma obra à seguinte sem perder a arquitetura em redor.

Depois desse momento no museu, o passeio continuou por ruas residenciais. As casas alinhadas, o tijolo e os pequenos detalhes das fachadas mostravam outra escala de Washington. Aqui, o passeio fazia-se junto às entradas das casas e às janelas, longe da escala dos grandes museus.

O regresso à National Gallery

Numa nova visita, voltámos às coleções. A pequena bailarina de Degas, as galerias de escultura, as paisagens e os retratos sucediam-se entre corredores e salas. Havia espaço para observar uma obra de perto e para voltar a alargar o olhar à forma como as peças se distribuíam.

O West Building abriu em 1941, com projeto de John Russell Pope. Os seus espaços simétricos, as colunas e as abóbadas davam continuidade ao percurso, mesmo quando as obras mudavam de época e de linguagem.

A ligação ao East Building fazia-se também através de um espaço muito diferente: o corredor luminoso de Multiverse, de Leo Villareal. Ao atravessá-lo, a própria passagem entre edifícios tornava-se parte da visita.

Passagem luminosa entre os edifícios da National Gallery

Outra arquitetura, outras linguagens

O East Building, de I. M. Pei, abriu em 1978. Os ângulos, o grande átrio e a luz vinda do alto contrastavam com os espaços que tínhamos acabado de percorrer. Entre pintura moderna e escultura, as obras encontravam aqui enquadramentos mais abertos e geometrias diferentes.

Continuámos pelas salas, alternando as pinturas com os conjuntos de escultura e as vistas para o átrio. A mudança entre os dois edifícios não se resumia à coleção: também alterava as distâncias, os pontos de vista e a relação com o espaço.

O móbile de Alexander Calder suspenso no átrio acompanhava essas perspetivas. Criado para o East Building, ocupava o vazio acima dos visitantes. Outras peças de Calder permitiam uma aproximação diferente, entre figuras de arame, pequenas esculturas e elementos suspensos. Vistos em conjunto, estes trabalhos iam além da imagem mais conhecida do grande móbile.

De volta à rua

Depois do museu, passámos por um mercado de rua em Penn Quarter. As bancas e os produtos expostos devolviam-nos à escala do passeio entre pessoas e edifícios. Depois desta nova visita à National Gallery, o mercado devolvia movimento e comércio ao passeio.

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